Um dos meus príncipios de vivência foi proporcionar o bem estar a quem mais necessitasse. Depois, quando essas pessoas a quem ajudei vinham ter comigo, para prestar o devido agradecimento, sempre respondia que procurasse uma outra com necessidades também e a ajudasse.
Lembro-me de ter este tipo de acções desde os meus 5 anos de idade…
E o mais fantástico foi ver, em 2000, o filme “Pay It Forward” (Favores Em Cadeia) a relatar algo semelhante.
Hoje, já adulto e com menos juízo, pratico o voluntariado na verdadeira ascensão da palavra, pois presto serviço não renumerado, em benefício da comunidade, actuando como agente de transformação social; doando o meu tempo e os meus conhecimentos, não só às necessidades do próximo, como, também, aos imperativos de uma causa.
E, quando o Miguel Franco me estendeu o convite para acompanhar as acções de Rotary e, nomeadamente, do Rotary Club Porto-Foz, aceitei de imediato.
Foram uns longos quase 7 meses a acompanhar e a trabalhar para o Club, sem quaisquer certezas de admissão… Até que a 16 de Janeiro de 2007, na Governadoria do meu querido e amigo Companheiro Álvaro Gomes, com a Presidência da Companheira Regina Vieira, e tendo o antigo Companheiro Miguel Franco como padrinho, entrei neste Club.
Na teoria, a definição de Rotary encaixava a 100% na minha de voluntário. Mas, infelizmente, verifico hoje que essa mesma definição encontra-se distorcida.
Uma acção de voluntariado trás consigo sentimentos e ambições; criam-se expectativas, há um envolvimento e procura-se o crescimento dentro daquilo que se desenvolve e se realiza. O que acontece em Rotary não é bem assim, pois existem factores humanos, nomeadamente comportamentais, que fogem à regra do espirito voluntário. A percepção do papel de voluntário está a alterar-se, e temos de ser nós, todos juntos, a não permitir a sua alteração.
O comportamento humano tem sido bastante imprevisível, por ocorrência das necessidades humanas, dos sistemas de valores e das exigências profissionais de cada um. Não existem formúlas simples para se trabalhar com pessoas, não existe uma solução perfeita aos problemas da organização também. Todavia, pode ser parcialmente compreendido.
Já Davis e Newtron, em 1991, afirmavam: “Quando as pessoas entram numa organização, trazem consigo certas forças e necessidades que afectam o seu desempenho na situação de trabalho. Algumas vezes, são facilmente perceptíveis, mas frequentemente tais forças e necessidades são difíceis de determinar e satisfazer, além de variarem enormemente de uma pessoa para outra.”
Para corrigirmos esta distorção, em 1973 já Tannenbaum dizia: “O organismo humano resssente-se com as exigências da racionalidade, simplicidade e passividade que a teoria clássica da organização pressupõe. Os indivíduos são complexos, variados e animados. Apresentam necessidades, às vezes profundas, muito antes de entrarem numa organização, e não as deixam de lado no momento do seu ingresso.”
Se queremos ser responsáveis sociais, uma maior participação é exigida, com regras e qualidade. Implica, é certo, um maior esforço e energia por parte dos Companheiros, bem como uma maior parcela de responsabilidade a assumir.
E, para aqueles que não possuam a mesma motivação, uma ampla reflexão lhes é exigida, de modo a não afectarem a qualidade e o trabalho do Club.
Lamento, por tudo isto, que não se tenham cumprido com todos os projectos existentes no Club. Mas sem Companheiros, não se concretizam projectos.
Terminamos hoje mais um ano rotário, o de 2009-2010.
A todos aqueles que colaboram e me acompanharam…
Um grande Bem Haja.
Ao meu querido e estimado Amigo e Companheiro António Brito Graça,
Que o próximo ano seja pleno de gozo e satisfação.
Paulo Chong
Presidente 2009-2010
Rotary Club Porto-Foz